terça-feira, 21 de setembro de 2010

Para Os Seguidores de Mentes Abstratas

Filosofia da abstração...
Daí ser talvez a matemática o exemplo ideal do ‘abstracionismo’, uma vez que, como regra, não estuda o mundo real, e sim modelos, que são abstrações do mundo real. Exemplificando: ‘três’ é uma idéia abstrata e não uma coisa concreta do mundo real. Mas ‘três’ é uma abstração muito útil, porque nos permite ter certeza de quanto ‘três’ representa e que, adicionando-se mais ‘um’, sempre teremos ‘quatro’, independentemente de estarmos nos referindo à pessoas, casas, bananas, ou a qualquer outra coisa.

A idéia abstrata, que alcançou seu grau maior de desenvolvimento em nossa espécie, tornou-se a fonte da criatividade. Sem esta, a raça humana teria sido privada de uma das mais belas expressões que vida pode prover:  a arte. Como, por definição, o 'abstracto' não tem massa, forma, tamanho e cor, quase todas as obras de arte são, definitivamente, concretas. Tomemos como exemplo uma pintura original, não uma cópia, é claro. Ela foi o resultado de uma concepção abstrata inicial da mente do artista, da qual ele construiu uma certa imagem e a pintou. Assim, o trabalho dele ficou concreto, porque tem massa, cor e dimensões.
Por outro lado, a música de uma canção, outra admirável criação artística, é, também,  privada de cor, massa e dimensões. Então, por definição, seria uma abstração. Porém, a música é capturada por uma de nossas percepções sensoriais: a audição. Então, segundo nosso ponto de vista, a música não representa uma abstração "pura”. Assim, nós a consideramos uma semi-abstração ou abstração parcial, enquanto reservando o conceito de abstração " pura " ou absoluta para aquelas que, além de serem privadas de cor, massa e dimensões, também não são percebidas pelos órgãos sensoriais.  Elas são apenas  “sentidas " pela mente.
Como exemplos de abstração absoluta nós temos sentimentos como ciúme, paixão ou ira, amor ou ódio, felicidade ou tristeza, todos eles profundamente inseridos dentro dos neurônios do nosso sistema límbico ou, como diria John Eccles, nas profundidades de nossas almas...

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